Dia da Internet Segura: 5 passos para ensinar seus alunos a se protegerem online
5 de fevereiro de 2026
Em poucas palavras: o Dia da Internet Segura, em 10 de fevereiro, é um ótimo gancho para transformar a orientação em prática. Com cinco passos simples, dá para trabalhar privacidade, educação midiática, respeito, bem-estar digital e cuidados com IA e deepfakes sem depender de uma aula “extra” no currículo.
Por que falar de internet segura na escola, mesmo quando o tempo está curto
Você talvez já viveu isso: a aula começa, alguém comenta um vídeo que “todo mundo viu”, surge um boato do WhatsApp da turma, aparece uma montagem com a cara de um colega, e de repente o conflito não está mais só no pátio. Está no bolso. Está na tela. E, muitas vezes, chega para você em forma de pergunta, no fim da aula, quando o sinal já vai tocar.
O Dia da Internet Segura ajuda porque organiza essa conversa em torno de uma mobilização maior e dá um caminho de ação. No Brasil, a data é organizada pela SaferNet Brasil em parceria com o NIC.br/CGI.br, com cooperação internacional de redes como Inhope e Insafe, entre outros atores, justamente para ampliar conscientização sobre uso seguro, ético e responsável das tecnologias.
A seguir, você encontra cinco passos pensados para sala de aula, com atividades que cabem em 15 a 30 minutos e podem ser repetidas ao longo do ano.
Passo 1. Combine “o que pode” e “o que não pode” no digital, do jeito que a turma entende
Internet segura para crianças começa com previsibilidade. Em vez de uma lista longa de proibições, construa combinados curtos, com exemplos concretos.
Atividade rápida (15 min): “Combinados da turma para o online”
- Escreva no quadro três situações comuns: postar foto de colega, receber mensagem de desconhecido, compartilhar print de conversa.
- Pergunte: “O que pode dar errado aqui?” e “O que a gente faz para evitar?”.
- Transforme as respostas em 5 combinados simples, do tipo: pedir permissão antes de postar, não compartilhar dados pessoais, pedir ajuda a um adulto de confiança quando algo parece estranho.
- Combine também o “plano de ação”: com quem falar, como registrar, o que não fazer no impulso.
Dica pedagógica: esse passo conversa diretamente com privacidade, respeito e saúde emocional, que aparecem como eixos de atividades educativas no próprio movimento do Dia da Internet Segura.
Passo 2. Ensine privacidade como habilidade prática
Privacidade não é só “não divulgar senha”. É entender o que é dado pessoal, por que ele vale tanto e como pequenas escolhas mudam o risco.
Atividade rápida (20 min): “Checklist do que eu não conto”
Peça para a turma classificar informações em três colunas: “posso dizer em público”, “só para pessoas próximas”, “não devo publicar”. Inclua exemplos: escola, bairro, rotina, localização em tempo real, foto com uniforme, nome completo, documentos da família.
Fechamento útil para o professor: finalize com três hábitos que a turma consegue lembrar:
- Pensar antes de postar.
- Evitar localização em tempo real.
- Conversar com um adulto quando surgir dúvida.
Esse foco em consequências do compartilhamento é um ponto central do eixo “Privacidade” do Dia da Internet Segura.
Passo 3. Trabalhe educação midiática com um “método de checagem” que caiba no caderno
Hoje, a desinformação não chega só em texto. Chega em vídeo curto, áudio recortado, imagem editada e, cada vez mais, em conteúdo gerado por IA. Deepfakes funcionam porque parecem convincentes, e é por isso que o antídoto precisa ser uma rotina de pensamento.
Atividade rápida (25 min): “Sem pressa, sem compartilhamento”
Apresente um exemplo fictício (criado por você) de manchete chamativa ou imagem duvidosa e conduza a turma por quatro perguntas fixas, que viram um “método”:
- Quem publicou isso? É um perfil conhecido? Tem fonte?
- Quando foi publicado? É antigo e voltou como se fosse novo?
- Onde aparece a mesma informação? Existe em mais de um lugar confiável?
- O que está faltando aqui? Contexto, autor, dados, link, imagem completa?
Se a escola tiver acesso, complemente com uma demonstração rápida de busca reversa de imagem. Se não tiver, o valor ainda está no raciocínio: reduzir impulso e aumentar critério.
Esse tipo de prática se conecta ao eixo “Educação Midiática”, que propõe justamente exercitar comportamentos básicos de educação midiática e científica diante da desinformação.
Passo 4. Faça da convivência online uma extensão dos valores da sala, com foco em respeito e empatia
Muitas situações de risco não começam com hackers. Começam com exposição, humilhação e escalada de conflito em grupo. Quando a escola ensina linguagem de convivência para o digital, ela reduz dano e fortalece vínculo.
Atividade rápida (20 min): “Antes de comentar, eu penso em…”
Escreva três frases no quadro e peça para a turma completar com exemplos reais (sem nomes):
- Se eu estivesse no lugar da pessoa, eu me sentiria…
- Um comentário que ajuda é aquele que…
- Se eu errar online, eu posso reparar assim…
O eixo “Respeito e Empatia” do Dia da Internet Segura enfatiza exatamente o impacto de comportamentos violentos em ambientes digitais e a promoção de cultura de paz online.
Passo 5. Crie um protocolo simples para situações de risco, incluindo IA, montagem e chantagem
Quando acontece um problema, o que atrapalha é o improviso. Ter um protocolo simples diminui o pânico e evita decisões que pioram o caso.
Protocolo em 5 linhas (para colocar no mural da turma)
- Pausar e não repassar.
- Guardar evidências com segurança (print, link, data).
- Bloquear e denunciar nas plataformas quando fizer sentido.
- Procurar um adulto de confiança na escola e na família.
- Cuidar do bem-estar: conversar, pedir apoio, não enfrentar sozinho.
Esse passo conversa com o eixo “Saúde Emocional”, que chama atenção para as consequências das redes no bem-estar e no autocuidado online.
Quer dar um passo a mais no Dia da Internet Segura?
Se fizer sentido para a sua escola, dá para transformar a data em uma experiência ainda mais envolvente participando oficialmente do movimento e cadastrando uma ação no site do Dia da Internet Segura.
Quando os alunos percebem que a atividade faz parte de uma mobilização maior, séria e reconhecida, o projeto ganha outro tipo de energia. Eles entram na proposta com curiosidade, capricham mais nos combinados, prestam atenção nos detalhes e, no meio desse processo, acabam aprendendo sem sentir que estão “só estudando”, porque estão construindo algo junto com a turma. Na página “Participe”, o movimento orienta o caminho: colocar o assunto em pauta, reunir um grupo e escolher o tipo de atividade para mobilizar a comunidade escolar.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é o Dia da Internet Segura?
É uma mobilização anual que promove conscientização sobre o uso seguro, ético e responsável da internet, organizada no Brasil pela SaferNet em parceria com o NIC.br/CGI.br.
Quais são as melhores dicas de internet segura para aplicar em sala?
Trabalhe combinados claros, privacidade como habilidade, checagem de informação, respeito nas interações e um protocolo de ação para situações de risco.
Como falar de IA e deepfake com estudantes sem assustar?
Com foco em método e rotina: diminuir o impulso de compartilhar, fazer perguntas de verificação e reforçar que conteúdos podem ser manipulados, tornando a checagem de contexto e fonte parte do cuidado.
O que a escola pode fazer para garantir segurança na internet para crianças?
Criar combinados, ensinar privacidade, manter canais de acolhimento e ter um protocolo simples para quando houver exposição, ameaça, montagem ou conflito digital.
Como participar do Dia da Internet Segura com uma atividade na escola?
O site do movimento orienta a colocar o tema em pauta, convidar um grupo e definir uma atividade educativa, abordando privacidade, educação midiática, respeito e empatia ou saúde emocional.